A Matemática dos Amendoins

As aulas estão a chegar ao fim e as nossas tardes depois da escola ganham uma calma que não tiveram nos últimos meses. Durante a fase anterior em que os miúdos tiveram muitos testes, muitas fichas e muitos trabalhos de casa, a criatividade ficou comprometida, o cansaço e as tarefas repetidas das quais eles não percebem a lógica tomaram conta deles e acabamos por ver que as crianças cheias de ideias e vontade de criar se transformam em robots de decorar coisas para fazer testes. Mas finalmente estamos de novo livres, ganhamos tempo para conversar mais, pintar mais, desenhar mais e aprender mais. Sim, é mesmo verdade, na época em que não é preciso aprender... Eles aprendem mais. 

Tudo começou na hora do lanche, e não há por cá hora do lanche sem fruta e amendoins. De tigela de amendoins no meio da mesa, começou um jogo entre duas crianças, as regras começaram simples: "Só podemos comer os amendoins inteiros!" E duraram o tempo suficiente para restarem na tigela apenas metades de amendoim. Então as regras mudaram: "Só podemos comer o número de metades de amendoim que formem amendoins inteiros". Passado um bocado tinham de dizer quantos amendoins iam comer antes de tirar o número certo de metades da tigela. Depois partiram amendoins em quartos para o jogo ficar mais difícil. E a coisa foi evoluindo, até ser preciso usar a calculadora para confirmar se as contas estavam certas.  

Com uma tigela de amendoins, os dois sozinhos,  estudaram todas as contas com fracções que nos testes lhes deram tantos motivos para fazer birras.  

Se a escola descobrisse que a matemática se esconde numa tigela de amendoins e numa tarde bem passada, talvez deixássemos de ter de aplicar a lógica da batata para estudar para os testes e passássemos a aplicar a matemática do amendoim e a química do slime, que foi a atividade logo a seguir ao lanche.  

 

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